O que há nas luzes da cidade? Nada além de elétrons saltatórios. Mas por que, não raro, roubo-me horas de sono à contemplação platônica dessa odisséia artificial? Não é por sua essência. Definitivamente, não. É por sua mais inocente superficialidade. E, por mais incrível que pareça, eu, o ser das profundidades abissais e gélidas, mergulho neste mar de ondas eletromagnéticas à altura do asfalto, com medo de ser feliz.
Essa superficialidade é a força que me tira do mundo em que geralmente vivo e me traz de volta melhor do que me encontrava (ou melhor, me perdia) antes. É ela que me lembra dos sonhos que um dia tive e que ainda tenho. É ela que me enche de saudades de tempos, lugares, amores e coisas que nunca vi. É ela que me traz um nome que não o meu, que não os seus, que não o de Deus. Um nome indecifrável, que esconde um segredo criptografado em auréolas de luzes noturnas. É ela que leva embora todas as minhas certezas e me enche de vento e brisa tão frios quanto os olhos dos homens, dentre outros animais. É ela que me faz ser!
E, se não for ELA, é NELA que eu sou. Sou o quê? Boa pergunta, voz da consciência... boa pergunta...
Bem postado!
ResponderExcluirBem escrito!
Bem PERFEITO!
Escreves muito bem rapaz! Continue escrevendo assim e teu nome será lembrado e reconhecido antes mesmo que você tome conhecimennto disto!